Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A tentar acompanhar tantos erros políticos...

Domingo, 05.11.17

 

 

É tão difícil acompanhar tantos erros políticos no país e na Europa, que nem dá para acompanhar o que se está a passar na América. Parece que as coisas também estão a fervilhar de erros por lá. Já para não falar nos riscos que todos corremos, entregues à loucura das lideranças mundiais...

 

É também com o coração nas mãos que olho para a nossa vizinha Espanha. Aí os erros políticos acumulam-se diariamente. Depois da violência policial da Guardia Civil sobre manifestantes em Barcelona, a prisão de membros do governo catalão.

E ainda pretendem levar por diante as eleições na região. A campanha eleitoral já deve ter começado, porque vi e ouvi um discurso muito estranho de Albert Rivera na TVE sobre "liberdade", imagine-se! O jovem político não percebe nada de democracia nem de psicologia social. Falar de liberdade com membros do governo presos? Iniciar uma campanha política para eleições sem as mínimas condições democráticas para o efeito? Não esperava esta alienação cultural num jovem político.

Os catalães têm de preencher este vazio na sua representação política, com políticos que não tenham equívocos ideológicos na cabeça nem sejam formatados pela lógica do poder. A lógica do poder não tem a mais elementar empatia e solidariedade humana, neste caso com os presos e com a sua comunidade ansiosa e dividida. Políticos que em vez de virem provocar esta comunidade em stress e insegurança, consigam ajudá-la a lidar com as divergências internas, trocar ideias, escolher objectivos e definir prioridades. 

 

Os catalães merecem melhores lideranças políticas. E para isso precisam de tempo e de um ambiente favorável, restaurando a democracia e a autonomia. Não vejo outro caminho.

Madrid restaurava a sua imagem internacional, mas também doméstica. Arrepiar caminho só pode ser feito pelo que detém o poder. Não perdia nada, antes pelo contrário, evitava uma instabilidade social que se reflecte na economia, e este é o argumento a que o poder é mais sensível, o financeiro.

E não esquecer a monarquia, que em vez de unir, dividiu mais profundamente, aliando-se à lógica do poder do governo de Rajoy. Até quando pensa a monarquia conseguir manter-se se não servir a unidade de Espanha? Unidade que tem de garantir respeito pelas diversas comunidades e incluir todos os cidadãos.

 

Entretanto a UE aliou-se à lógica justiceira espanhola, sancionando a prisão de membros de um governo eleito democraticamente numa região autónoma. A UE que nos vem interpelar nas redes sociais que é democrática, que quer ouvir os cidadãos europeus, etc. e tal.

Ficamos todos a saber que a UE não é regenerável por dentro, que as suas instituições são obsoletas e opacas, que não servem a democracia ou a justiça.

Justiça é a possibilidade de resolver conflitos sociais, não é agravá-los.

Justiça é a possibilidade civilizada de manter o equilíbrio social, não é desequilibrá-lo.

E a democracia é a forma de organização social o mais equilibrada possível.

 

Esta loucura visível em muitas lideranças políticas tem de fazer "pause" antes de fazer mais estragos, dar tempo e espaço para reflectir, para restaurar o equilíbrio perdido.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:19

Com o coração nas mãos

Quinta-feira, 26.10.17

 

 

Com o coração nas mãos é como vamos todos passar estes próximos meses de um Outono com seca severa e sobretudo, sim sobretudo, a partir de Março se este governo ainda estiver no poder nessa altura.

Precisamos de estar atentos e alertas, pois não podemos contar com a competência deste governo para evitar mais tragédias nacionais, como as que vivemos este ano. Pedrógão já nos tinha deixado incrédulos e deprimidos. Mal sabíamos que ainda teríamos de ver acontecer o 15 de Outubro...

A tristeza deu lugar à revolta, não podemos deixar esquecer o que aconteceu. Saber as causas dos incêndios, tudo o que nos esconderam e que teria sido fundamental para evitar as mortes e os ferimentos de tantos, e no maior desamparo possível.

 

Como já imaginava, e não é por acaso que já não confio em comissões de investigação disto e daquilo, o relatório que foi apresentado 4 meses depois de Pedrógão e 3 dias antes de 15 de Outubro como se se tratasse do Santo Graal, tem erros e omissões graves.

Não apemas não protegem os cidadãos como não os respeitam. Não apenas omitem a verdade, como nos mentem. Mas nós não deixaremos esquecer Pedrógão. Não deixaremos esquecer o 15 de Outubro.

Não deixaremos que nos tentem apagar da memória o que aconteceu às pessoas, às suas vidas. Não nos deixaremos distrair por casos secundários de juízes culturalmente atrasados no tempo, por relatórios com informação não fiável, por debates televisivos com especialistas de duvidosa formação e isenção, por comentadores com uma agenda oculta.

E além de não esquecermos ou deixarmos esquecer Pedrógão e o 15 de Outubro, colaboraremos para evitar futuras tragédias. 

 

Para já, o CDS marcou uma posição na AR por todos nós os que gostaríamos de censurar este governo. Com o PSD ao seu lado. Já estão clarificadas as posições na AR, bem definidas e demarcadas. A partir daqui já todos sabemos quem está com as pessoas abandonadas à sua sorte e ao maior desamparo, e quem segurou este governo porque tem outras prioridades.

A cultura da esquerda que apoia este governo revelou-se como na verdade é: mesquinha e territorial, a trabalhar para o seu eleitorado. No seu pequeno mundo urbano e suburbano, industrial e empresarial, sobretudo do sector público e sindicalizado. Os outros, os que laboriosamente constroem uma vida sem as ajudas estatais, esses não contam para a sua contabilidade orçamental.

A cultura socialista é a mesma dos governos socráticos: o marketing, a arrogância, a vangloriar-se do sucesso económico e financeiro na campanha autárquica, já depois de Pedrógão. Inchados na sua cegueira depois de umas Autárquicas que apenas indicaram a confiança em candidatos a nível local. Um PM que só demitiu a ministra e o secretário de Estado depois do discurso presidencial. Um PM que só admitiu ter falhado e só pediu desculpa por essas falhas graves depois do discurso presidencial.

 

Não confiando na investigação oficial e nos relatórios de comissões chamadas independentes, o que podemos fazer na prevenção?

Estar alertas e atentos, coligir factos, cruzar dados, cada um na sua especialidade. Registar tudo. Utilizar os neurónios. Informar. Comunicar. Partilhar. As causas dos incêndios começarão a surgir em padrões temporais e espaciais, em ligações e intersecções, em coincidências. Identificáveis. 

Participar civicamente nas iniciativas e actividades da freguesia e do concelho. Manterem-se informados, sugerir, colaborar.  

Organizarem-se em grupos, associações, comunidades. No território afectado, colaborar na recuperação e regeneração. No território restante, colaborar na informação sobre riscos e formas de os evitar. Em ambos os casos, partilhar informação sobre pequenas iniciativas que todos podem passar a incluir nas suas rotinas diárias. Há a qualidade da água que pode estar afectada, por exemplo.

Não nos deixemos impressionar ou afectar pelas tentativas oficiais ou outras de nos implicarem na responsabilidade que é deles. Queimadas de agricultores? E os unúmeros fogos que se iniciaram ao fim da tarde e à noite? Proprietários que não limpam a floresta? Para já, o pinhal de Leiria é do Estado, a faixa ao longo das estradas é da EP, e outros exemplos de floresta abandonada. Tudo ardeu, floresta, pasto, árvores de fruto, oliveiras, videiras, casas, fábricas...

E finalmente não deixemos de exigir informação fidedigna e avaliação dos responsáveis.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:05

Europeus que somos todos nós, precisamos de inspiração para antecipar desafios e resolvê-los da melhor forma para todos

Segunda-feira, 09.10.17

 

 

 

O sol nasceu cor de sangue do fumo dos incêndios florestais. Como se nada tivesse acontecido ao longo de todo o Verão, o crime continua a compensar neste país sem uma governação competente e responsável nas áreas fundamentais da Protecção civil e da Justiça.

E já nem vou referir a área básica da Segurança nacional...

 

O governo incha e faz voz grossa na sequência das Autárquicas, convencido de que ganhou credibilidade e legitimidade. Na verdade, as Autárquicas não provam nada disso, apenas provam escolhas acertadas de candidatos e de apoios de independentes.

Estas Autárquicas já trouxeram alguma mudança: uma tendência para uma maior participação dos munícipes no destino das suas freguesias e concelhos e nas grandes decisões a nível local.

Algumas maiorias absolutas dão lugar à negociação. Parece uma tendência para ficar.

O PSD segura-se no norte e no centro, apesar de algumas escolhas pouco felizes nas maiores cidades. Em Coimbra obtém um bom resultado pois escolheu uma boa equipa.

O CDS ganha fôlego a partir de Lisboa.

A CDU ganha fôlego em Lisboa e perde algum fôlego no Alentejo. Em Lisboa terá grande visibilidade, até porque escolheu um óptimo candidato.

O BE surge na vereação em lugares imprevistos.

O PAN esteve perto. Estou a pensar em Setúbal.

 

Nas minhas previsões dedutivas para 7 concelhos (Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém e Setúbal), apenas acertei 57%.

Em Coimbra previ melhores resultados para os candidatos da coligação PSD/CDS/, etc. e dos Cidadãos por Coimbra.

Em Santarém calculei que o candidato do CDS conseguisse melhores resultados.

Em Setúbal previ melhores resultados para os candidatos do BE, PSD e PAN.

 

Os desafios são muitos e que todos consigam concretizar o essencial: a protecção das populações, a gestão inteligente do território, a economia, a qualidade de vida, a mobilidade, a ciência e tecnologia aplicadas aos recursos, energias limpas, a gestão da água, a habitação, a protecção ambiental, a agricultura biológica, o turismo sustentável.

 

O equilíbrio litoral - interior, em termos de investimento, não implica que o interior repita os erros do litoral.

A cultura megalómana de desenvolvimento de Medina em Lisboa não deve ser replicada pelo país fora. Exemplo: o turismo para ricos e famosos (unidades hoteleiras) e o turismo de massas (turismo de habitação em todo o lado), que inflaccionou os preços das rendas.

Um dos nossos melhores recursos é a diversidade: podemos escolher ruído ou silêncio, movimento ou sossego, auto-estradas ou caminhos, carros ou bicicletas, néons ou estrelas.

 

 

Aqui tão perto, os nossos amigos catalães também enfrentam um grande desafio.

Pensar que, se houvesse inteligência emocional e capacidade de antecipação na política espanhola, tudo teria ficado por um reforço da ideia de independência, um registo na agenda dos projectos a médio ou a longo-prazo da região...

Em vez disso, feriu-se o núcleo simbólico da sua autonomia, invadiu-se o seu território, usou-se a força policial contra a sua população e aumentou-se a fractura da comunidade.

O governo de Rajoy revelou os tiques autoritários que permanecem na cultura política de Espanha. Nada de surpreendente, se recuarmoa às investidas da polícia espanhola sobre manifestantes em Madrid, na sequência da crise financeira bancária, lembram-se? Agora foi em Barcelona.

E ainda por cima de tudo isto, de um conflito governo central - uma região autónoma, a pressão e chantagem da própria União Europeia. Uma linguagem do poder com que já estamos familiarizados em Portugal. E que os gregos aturam há já uma década.

 

Sim, europeus que somos todos nós, precisamos de toda a inspiração que nos surja de todas as fontes para enfrentar os desafios que nos aguardam e dos quais não podemos fugir. O melhor é antecipá-los e resolvê-los da melhor forma para todos.   

 

Uma semana inspirada é o que desejo a todos os Viajantes que por aqui passam. A inspiração será fundamental para enfrentar tantos desafios...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:30

D. Manuel Martins, que a sua voz nos inspire a sintonizar a nossa consciência

Segunda-feira, 25.09.17

 

 

  

D. Manuel Martins, que a sua voz nos inspire a sintonizar a nossa consciência...

 

Num mundo e numa Europa que está a esquecer o valor essencial da vida, que exclui os mais frágeis, que se está a organizar para excluir todos os que não lhe servem nos seus objectivos imediatos de acumulação de riqueza.

As próprias lideranças políticas, dos partidos que se consideravam democratas, ao seguir a lógica financeira dos grandes bancos e das grandes empresas, perderam a credibilidade e, nalguns casos, estão a perder a legitimidade. Abriram as portas à alienação cultural política, à revolta mal dirigida, porque as pessoas se sentiram abandonadas e esquecidas.

 

Em breve veremos análises políticas a deformar as causas da presença de partidos não democratas nos parlamentos. Em breve ouviremos o impensável, que a razão desta desgraça europeia está na abertura aos refugisdos.

Nada mais errado e perverso. A razão é económica e está nas desigualdades sociais. Desigualdades sociais que os partidos que se consideram democratas ajudaram a criar e a reforçar, pressionados pela cultura financeira da União Europeia.

Desigualdades sociais que se reforçaram depois da austeridade e que agora se estão a organizar à volta do "trabalho alugado" à hora e da automação. É este o verdadeiro motor da actual propaganda pelo UBI (universal basic income). Propor aos cidadãos uma espécie de subsídio vital (para comer, pois não dará para se abrigar), a que chamam cinicamente de "dinheiro grátis", em troca da sua alma, ou seja, da sua razão para viver. Porque sem a dignidade da autonomia, da pertença a uma comunidade, o que resta a uma vida humana?

 

D. Manuel Martins sempre esteve atento a essa realidade cruel. Em Setúbal foi uma voz isolada a lembrar todos os abandonados e esquecidos no tempo do cavaquismo.

D. Manuel Martins sentia as "dores do mundo", mas não se ficava por aí. Erguia a sua voz, e mesmo quando o chamaram "bispo vermelho" não se importou, pois afinal "vermelho é o sangue", ou seja, o sangue que nos corre a todos nas veias, irmanados na mesma condição humana.

Esse foi o percurso de D. Manuel Martins, essa foi a razão da sua vida, essa foi a sua escolha da consciência.

E qual é a nossa?

Inspirados na sua voz, cada um no seu papel, podemos sintonizar a nossa consciência para o valor essencial da vida.

E o valor essencial da vida é a abertura cultural à diversidade, porque a vida é diversidade, não é uniformidade.

O valor essencial da vida é a descodificação cultural do preconceito, porque a vida não se estrutura segundo exclusividades selectivas. Um organismo morre se uma parte de si adoece e não é tratada. O mesmo serve para as células que se desorganizam ou para vasos sanguíneos que se cortam, etc.

A vida organiza-se na aceitação de todos e de cada um, porque a vida é interacção e equilíbrio.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:07

Autárquicas 2017: algumas previsões dedutivas

Sexta-feira, 22.09.17

 

 

À medida que o dia 1 se aproxima, o nervosismo das lideranças partidárias aumenta. Quando a ansiedade controla a comunicação, cai-se inevitavelmente na estratégia errada, nos equívocos políticos já nossos conhecidos.

Assim, vemos o PS proclamar a expectativa de uma maioria nas Autárquicas. O seu número da sorte seria o 150 (nº de câmaras que Seguro conseguiu). O PSD utiliza como estratégia a crítica ao governo. O CDS ganha fôlego com a perspectiva de um bom resultado em Lisboa. 

E entretanto, a Catarina resolve implicar com as maiorias da CDU nalgumas câmaras. Jerónimo acusa o toque sem saber muito bem que estratégia escolher.

 

Ficamos com a sensação de que as lideranças fariam melhor em deixar os seus candidatos, ou os que apoiam, mostrar os seus projectos pois são os projectos que vão ser avaliados, não o governo ou os que o suportam ou a oposição.

O PS não merece as 150 câmaras. Isso ficou claro e evidente nas falhas graves na protecção das populações.

A Catarina, em vez de implicar com a CDU, deveria olhar para o bom desempenho nos debates de alguns dos seus candidatos e reforçar isso mesmo.

 

Até agora só consegui acompanhar uma parte dos debates, mas não resisto a lançar algumas previsões baseadas na dedução que inclui a apresentação do projecto e a capacidade de mobilização. Estas previsões não reflectem ainda a influência negativa na campanha das lideranças partidárias.

Vamos então arriscar:

 

Lisboa: PS perde a maioria confortável, o CDS tem um bom resultado, assim como o BE e a CDU.

Porto: Rui Moreira mantém a maioria confortável.

Coimbra: PS perde a câmara para quem? Suspense até aos resultados, com todos muito próximos: Coligação PSD/CDS, etc., Cidadãos por Coimbra e Somos Coimbra.

Setúbal: A CDU perde a maioria confortável, o BE tem bons resultados, assim como o PSD. O CDS melhora e o PAN será a grande surpresa podendo ter aqui um vereador.

Santarém: o PSD pode perder a câmara para o CDS, à tangente. O BE pode melhorar o seu resultado.

Leiria: o PS mantém a câmara.

Castelo Branco: o PS mantém a câmara, a CDU melhora os resultados.

 

Ainda gostava de analisar Guarda, Viseu, Covilhã, Fundão, Oleiros, Pedrógão, Lousã, Mação, tão massacrados pelos incêndios.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:21

Autárquicas 2017: equívocos culturais que permanecem na política partidária nacional

Terça-feira, 19.09.17

 

 

 

Depois de ver o país três meses a arder em incêndios criminosos, as tais "ocorrências" de que nos falam na central da protecção civil e que acontecem anualmente, ou seja, um problema de segurança estatisticamente previsível, vem o PS afirmar, arrogantemente, que quer ganhar as Autárquicas.

Esta afirmação revela, pelo menos, dois equívocos culturais que iremos analisar a seguir.

 

 

Equívocos culturais que permanecem na política partidária nacional:

 

1º - As autárquicas reflectem os resultados partidários nacionais.

Este paralelismo foi-se diluindo no tempo e hoje já não é fiável. Reparem que há candidatos que antes tinham sido eleitos por um partido e agora são apoiados por outro. A referência aqui é o trabalho desenvolvido na câmara e não o partido que o apoia. O mesmo para candidatos antes eleitos por um partido que agora se apresentam de forma independente. E ainda para candidatos independentes que se apresentam apoiados por um ou mais partidos.

Os projectos são avaliados. E é por isso que em breve veremos novos rostos, mais jovens e dinâmicos, a gerir autarquias. Como referi no Twitter: "As autárquicas já não servem como referência da implantação partidária nacional. Cada concelho é um caso específico. ... Há bons projectos: desde o CDS à CDU, passando pelo PSD, BE, independentes e PAN. ..."

 

2º - As campanhas autárquicas seguem a lógica das campanhas legislativas.

Estando mais próximo das pessoas, o poder local tem uma lógica própria. É mais fácil influenciar o eleitorado. É por isso que em ano de eleições, vemos obras em tudo o que é estradas municipais, ruas, passeios, jardins e... as inevitáveis rotundas.

Nota-se, no entanto, uma mudança cultural em curso: as pessoas estão mais informadas sobre as decisões que afectam a sua vida diária e o rendimento familiar. E já não se ficam por aqui: já se preocupam com a qualidade de vida da comunidade, a protecção ambiental, uma economia mais equilibrada e sustentável, uma gestão política mais transparente e participada. As pessoas formam associações, reunem-se, debatem. São comunidades vivas a proteger os seus melhores recursos.  

Implicações políticas: se até aqui as campanhas eram clubistas e os grupos partidários se guerreavam mutuamente, esta estratégia já não tem impacto nos eleitores. Se até aqui se faziam promessas em discursos, slogans e outdoors sorridentes, hoje esta modalidade está a dar os últimos dividendos políticos.

 

 

Sendo assim, o PS está completamente equivocado, e não só duplamente equivocado (os equívocos referidos), também por um terceiro equívoco: a gestão política local não é distante e opaca como a nacional, apoia-se na vida da comunidade. Embora valorize a economia e finanças saudáveis (os trunfos actuais do governo), valoriza, acima de tudo, a segurança e a confiança. A segurança e a confiança são fundamentais para uma comunidade e baseiam-se na responsabilidade.

Foi na segurança, na confiança e na responsabilidade, que o PS falhou. Não valorizou os cidadãos o suficiente para assumir a responsabilidade pelas graves falhas na sua protecção (incêndios) e na segurança nacional (Tancos). Não valorizou os cidadãos o suficiente para demitir a ministra e a sua equipa. Não valorizou os cidadãos o suficiente para querer investigar até às últimas consequências o que se passou em Pedrógão, e depois nos concelhos afectados diariamente pela destruição criminosa dos incêndios. Não valorizou os cidadãos o suficiente para lhes dizer a verdade sobre a origem criminosa dos incêndios. E não foi só não lhes dizer a verdade, foi mentir-lhes com a versão oficial "negligência". Não valorizou os cidadãos e o país o suficiente para investigar o que se passou em Tancos. Isto somado revela a natureza descontraída do PS relativamente ao essencial e a sua obsessão pela imagem. Esta é a sua marca registada, a sua cultura de base.

 

Pode acontecer que os resultados das Autárquicas favoreçam o PS e o PSD, afinal são os partidos em que os eleitores se habituaram a votar com mais frequência. Não me parece é que isto reflicta uma tendência nacional.

  

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:24

Autárquicas 2017: Coimbra, a cidade poética que pode ser uma plataforma europeia da reflexão sobre a ciência e tecnologia

Sexta-feira, 15.09.17

 

 

 

Percebe-se porque há uma insistência obsessiva em querer colocar Coimbra na corrida do conhecimento, como se a cidade tivesse de viver apenas para a sua universidade.

É verdade que Coimbra é, antes de tudo, a universidade mais antiga da península ibérica. A Santa Cruz medieval formou Santo António. A torre da universidade, a biblioteca joanina, a universidade velha são impressionantes.

A Sé Velha, a Sé Nova, o museu nacional Machado de Castro, o jardim botânico, o Seminário Maior e a sua capela, tudo nos envolve poeticamente. Do lado de lá do rio, espera-nos Santa Clara-a-Velha e o convento de Santa Clara.

Não esquecer a Baixa, que os turistas adoram, e voltamos a Santa Cruz, a igreja e, ao lado, o café e a sua esplanada. É aqui que vêm desembocar as ruas da baixinha, onde antes o pequeno comércio e o comércio tradicional tinham uma enorme vitalidade e agora apenas resistem com dificuldade. Esta decadência está a descaracterizar esta parte de Coimbra. Em breve estará ocupada por lojas de maior dimensão, mas sem alma, e por tasquinhas.

Se voltarmos a Santa Cruz temos duas opções: a rua da Sofia ou subir à praça da República. Na rua da Sofia, as suas igrejas e edifícios antigos. A caminho da praça da República, o jardim da Manga e a sua esplanada, o mercado, o elevador para a parte alta da cidade, e a avenida Sá da Bandeira com o seu jardim. Já a chegar à praça, o teatro Gil Vicente.

 

Coimbra não é apenas a sua universidade. É a sua universidade mais a sua história, mais o seu magnífico património, mais os seus poetas das serenatas, mais o seu pequeno comércio, mais o Mondego.

As margens do Mondego não têm sido valorizadas. O rio não é apenas para ser navegado, há parques onde antes as famílias vinham passear. Hoje as crianças acompanham os pais para o Forum ou para outras grandes superfícies.

 

O equilíbrio possível entre a ciência, a tecnologia de ponta e a filosofia, a história, é o grande trunfo de Coimbra. Disse bem. Hoje é tão necessário avançar na ciência como reflectir na sua aplicação. Vivemos dilemas actuais fundamentais para o futuro da nossa espécie. E porque não Coimbra a liderar essa reflexão filosófica quando tem experiência histórica? A sua especificidade é a possibilidade de uma ciência e tecnologia com consciência humana. Disse bem. Consciência humana. Porque já se fala da possibilidade de criar uma "consciência artificial". :)

 

Já me entusiasmei. Ponto da situação, autárquicas, debate. Vi o programa na RTP Play dias depois. Comentei no Twitter: "... os melhores projectos para Coimbra: Cidadãos por Coimbra, Jorge G. Monteiro, e PSD/CDS, etc, Jaime Ramos. Coimbra reclama uma mudança cultural."

Gostei particularmente do projecto Cidadãos por Coimbra, a minha escolha pessoal, pela sua abrangência e articulação entre as diversas áreas: habitação, economia, diversidade e equilíbrio social, abertura à participação cívica, cultura da colaboração e da comunidade, do acesso à qualidade de vida dos munícipes em geral, à possibilidade de fixar os jovens, um futuro equilibrado e sustentável. Uma cidade acolhedora para todos, apreciada e usufruída por todos.

Também considerei interessante a intervenção do candidato apoiado pelo PSD/CDS/MPT/PPM. Pareceu-me, no entanto, representar uma cultura elitista, que considera que o motor de uma cidade está centrado nos quadros qualificados. É certo que são um recurso que a cidade perde para outros países sobretudo, e que podem fixar-se se a cidade souber facilitar e promover condições económicas favoráveis. Mas há muitos outros recursos em Coimbra, que não passam pelas corridas alucinadas dos silicon valleys deste mundo. Coimbra pode, se quiser, colocar-se noutra plataforma, à escala europeia, a partir da sua sabedoria secular.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:38

Autárquicas 2017: Santarém, onde o passado merece um futuro equilibrado e sustentável

Sábado, 09.09.17

 

 

A aconpanhar as Autárquicas 2017, tenho descoberto o seguinte: muitos independentes apresentam-se apoiados por partidos; começam a surgir jovens com motivação pela intervenção cívica; os melhores candidatos podem surgir de um qualquer partido, da esquerda à direita; verifica-se uma melhoria na comunicação entre os candidatos, com menos agressividade; a diversidade cultural está presente, 

No Twitter, tenho comentado os debates, uns na hora, outros dias depois :) como este, de Santarém, que gravei: "... interessante intervenção de Rocha Pinto, o candidato do CDS. Colaboração funcional possível: CDS com PSD e CDU. ... a candidata do BE tem ideias e pode ser uma vereadora virada para o futuro. Precisa de melhorar a comunicação. ... recupero a conclusão, CDS para a câmara, e colaboração funcional com PSD e BE."

Esta recuperação da conclusão revelou-se necessária porque fui comentando no Twitter à medida que ia acompanhando o debate. Aprendi a lição: o tempo do Twitter é demasiado sincopado para revelar o essencial. Assim, o candidato da CDU acaba por perder relativamente à candidata do BE, isto é, a candidata foi revelando a pouco e pouco as suas ideias, cultura de base, interacção. E está virada para o futuro.

 

É com algum conforto de alma que me apercebo que nem todos os candidatos autárquicos sofrem da megalomania cultural que nos trouxe tantos prejuízos. Muitos revelam bom senso, o que é refrescante, noção clara de equilíbrio possível entre o passado (história, património, comércio tradicional, etc.) e o futuro (ciência, tecnologia, etc.), ideias inovadoras e sustentáveis para resolver problemas e melhorar a qualidade de vida dos munícipes e, em simultâneo, o desenvolvimento da região.

 

O candidato do CDS parece ser o melhor preparado para assumir a responsabilidade da câmara. É na sua intervenção, calma e bem artiiculada, que vemos como o passado e o futuro se podem aqui encontrar e conviver, com benefício mútuo.

Acessibilidades: reconhecimento desta forte vantagem de Santarém, com a auto-estrada e a ferrovia. Proposta interessante de deslocar apenas a estação ferroviária, "na mesma linha e na mesma cantenária", para perto da zona comercial do CNEMA, centro nacional de exposições, onde existem parques de estacionamento, e onde se poderia fazer uma zona intermodal colocando, também ali, a rodoviária. Além de ficar igualmente próxima do aeródromo.

Reconhecimento da necessidade de melhorar as acessibilidades das freguesias do norte do concelho, Alcanede e Amiais, com a correcção do traçado das estradas, por se tratar de um obstáculo que permitiu que "fugissem para" a Azambuja e Alcanena diversas empresas, quando Santarém tem "melhores acessibilidades e pavilhões vazios". A sua posição geográfica no centro do país, e ligado a tudo o que é vias de comunicação, permite-lhe vir a ser "uma plataforma logística do país."

Mobilidade dentro da cidade: proposta de um elevador mecânico que ligue as zonas superior e inferior do planalto. 

Turismo: de cariz religioso, como o Santuário do Santíssimo Milagre, o património religioso da época medieval, o museu diocesano, não valorizado, e que faria parte dos objectivos a curto-prazo, "para alavancar o emprego".

Habitação no centro histórico, com legislação que facilite a sua reabilitação. A partir daí, o pequeno comércio e o comércio tradicional vai-se reanimar.

Um parque da cidade no terreno onde se realizavam as feiras, a limpeza da cidade, cuidar dos jardins. Algumas "pequenas coisas" que fazem muito pela qualidade de vida dos munícipes.

 

Enquanto o candidato do PSD, actual presidente, refere, ufano, as startups, a candidata do BE privilegia as pessoas e alerta para a ausência de informação sobre o tipo de trabalho que desenvolvem e as suas condições. Embora o presidente insista que há informação disponível, todos sabemos que há ainda uma certa opacidade na cultura de base de muitas startups.

A obra feita centra-se essencialmente no investimento na escola prática de cavalaria, onde estão inseridos vários serviços, incluindo a Startup Santarém - centro de inovação empresarial, e obras no centro histórico da cidade.

Agora falta uma visão integrada e virada para o futuro que não passe apenas pela cultura do desenvolvimento economicista.

 

A candidata do BE revela, a pouco e pouco, ter ideias interessantes e viradas para o futuro, mas precisa de melhorar a sua comunicação. É quem refere a importância de envolver os munícipes através do orçamento participativo, uma cultura comunitária, o ambiente, as ciclovias, a agricultura biológica, o aproveitamento turístico equilibrado e sustentável da zona ribeirinha com caminhos pedonais. 

Por isso a considerei como uma vereadora que pode colaborar, de forma positiva, na definição de áreas e na opção de estratégias, de um futuro que privilegia a qualidade em vez da quantidade.    

 

Concluindo, o projecto mais inteligente, equilibrado e sustentável, é o do candidato do CDS, que revela, além disso, o perfil mais adequado a presidente de câmara, que desenha o futuro de forma integrada e perspectivando-o em várias fases.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:38

Autárquicas 2017: Lisboa, a cidade luminosa que resiste à misoginia política a que chamam "dinamismo económico"

Quinta-feira, 07.09.17

 

 

 

Debates dos candidatos à câmara de Lisboa, na SICN e na TVI24. O que estes debates revelaram é verdadeiramente surpreendente:

O candidato mais preparado para compreender e valorizar Lisboa é João Ferreira. Secundado pelo candidato Ricardo Robles, que define a habitação como prioridade, e pelas candidatas Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho, que percebem o que está em causa, o equilíbrio e a sustentabilidade de uma cidade, e dos seus habitantes, que merecem melhor tratamento. E o candidato que pior lhe irá fazer, espero que não seja irreversível, é o actual presidente, Fernando Medina, e o seu "dinamismo económico".

 

Lisboa é uma cidade que sempre visualizei no feminino. Luminosa, acolhedora, versátil, sábia. Nem todos a compreendem mas todos a querem mudar e descaracterizar. Sem a compreender, como é que a podem valorizar? Lisboa resiste a esta misoginia política. A questão é: até quando?

 

Na mobilidade, um bom sistema de transportes públicos é fundamental para retirar pressão automóvel sobre o centro da cidade. O metro é o melhor transporte em rapidez, frequência, comodidade. Todos percebem isto. Mas, como João Ferreira demonstra num discurso bem articulado, se o preço do bilhete é superior à utilização do carro, como se motivam as pessoas a não utilizar o carro na cidade?

Também demonstrou que a ideia de uma linha circular pela periferia da cidade só vai piorar a acessibilidade da periferia ao centro, pois os utilizadores terão de fazer transbordo. É fácil de perceber. E sabem quanto estão a pensar investir nessa obra inútil? 12 milhões, foi o que percebi. Desconfio que será bem mais do que isso.

Lisboa, Lisboa...

 

A pressão do turismo sobre a habitação, outro desafio. A cultura dos vistos gold e o actual deslumbramento com o turismo de massas e de hotéis para ricos, está a empurrar os residentes do centro para a periferia. O preço das casas torna-se incomportável, o mercado de arrendamento segue a curva ascendente, e lá vai parte da alma lisboeta para onde não incomode. E o que irá acontecer ao comércio tradicional?

Aqui João Ferreira é secundado por Ricardo Robles, que se entusiasma com este desafio. É possível evitar a especulação imobiliária.

 

A pressão do turismo sobre o centro da cidade foi bem explicado por João Ferreira. A solução é diversificar o turismo por diversos pontos da cidade.

Visualizei o Terreito do Paço invadido por multidões de turistas a sair de embarcações de cruzeiro, a desembocar na Baixa e no Chiado, no Castelo e em Alfama, numa azáfama colorida e ruidosa, e estremeci. É essa a Lisboa de Medina.

Lojas que se transformam em formas de vender artefactos de gosto duvidoso que desfiguram a alma de Lisboa. A sua cultura antiga, de muitas camadas, que se vai revelando a pouco e pouco, nas ruas empedradas, nos azulejos que ainda não roubaram, nos vestígios que permanecem, nos jardins, nas praças, nas escadinhas, nos elevadores eléctricos, nos miradouros, nas igrejas, nos museusnos teatros, nas livrarias.

E depois, a Lisboa da ciência. Os laboratórios, os anfiteatros, os armários de madeira, como eram inovadores e poéticos.

A Lisboa da botânica, a Lisboa da geologia, a Lisboa das descobertas, curiosa e inteligente.

E também a Lisboa da cerâmica, do azulejo, da arte sacra, do mobiliário.

Não, não esqueci a Lisboa do fado. Há um turismo exclusivo do fado.

 

Há muitas camadas em Lisboa. A Lisboa dos palácios reais, magnífica e sumptuosa, num país falido. Este contraste é, ele próprio, didáctico.

Assim como a Lisboa burguesa estrangeirada, vaidosa, decadente e fútil, tão bem retratada em Eça, mas que não desejaríamos replicar.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:08

Autárquicas 2017: Castelo Branco, onde ainda é possível o futuro desenhado pelas próprias populações

Domingo, 03.09.17

 

 

Assisti ao debate Autárquicas 2017 na RTP3 dos candidatos à câmara de Castelo Branco, moderado por André Macedo, que fui comentando sinteticamente no Twitter (@avidanaterra): "... Nem todo o investimento é interessante. A marca da região é a sua cultura riquíssima. ... o actual presidente do PS parece o mais preparado e receptivo a ouvir os munícipes. ... A candidata da CDU revela também estar bem informada sobre os obstáculos actuais ao desenvolvimento do concelho. ... o candidato do PSD refere as dificuldades do comércio da região vs produtos importados/grandes superfícies. ... seria óptimo se PS-PSD-CDU aqui formassem uma geringonça. Cultura+Economia+Emprego.

 

Nem todo o investimento é interessante: 

Gostei de ver o rosto perplexo do entrevistador (que é ágil, certeiro e objectivo), ao ouvir quatro dos cinco candidatos a favor de um turismo sustentável, mais vocacionado para o turismo cultural e de natureza, e acessível às pessoas comuns, isto é, não dirigido, tal como noutros concelhos, para ricos. André questiona: mas não é daí que vem o retorno do investimento?

Aqui já podemos perceber que praticamente todos os candidatos estão sintonizados com o futuro mais amigo das suas populações, o que valoriza  a sua história antiga, a sua cultura, o seu património, o seu território.

É que nem todo o investimento é interessante. Há investimentos que não se revelam benéficos, que apenas replicam os investimentos megalómanos de outros concelhos: ou um turismo de massas, que aqui seria catastrófico, ou um turismo para ricos, que adulteraria a marca cultural, única e intacta, da região.

 

A marca da região é a sua cultura riquíssima:

O património histórico e cultural, que pode ser observado e saboreado ao ritmo de quem respira um tempo que se prolonga, como passeios a pé ou de bicicleta, que não perturbam nem invadem. O bordado de Castelo Branco, a música, a gastronomia. O seu território, as freguesias circundantes. E as próprias populações.

A valorização do comércio tradicional e da indústria (azeite, queijo, etc.) é fundamental. As grandes superfícies podem trazer alguns empregos mas deixam pouco valor na região. Muito mais estruturante para uma comunidade, e interessante para o turismo cultural, são as lojas que comercializam os produtos da própria região, dos seus produtores, com a informação sobre a origem e modos tradicionais de confecção e fabrico. E, na realidade, este é um turismo cada vez mais procurado e valorizado pelos mais ricos.

As portagens da A23 são aqui referidas como obstáculo ao desenvolvimento do concelho. Considerando que as acessibilidades se dirigiram essencialmente para as rodovias, é sobretudo um obstáculo para o comércio e indústria da região. Aqui consideraria um investimento nacional na ferrovia para transporte de mercadorias.

Muito interessante a referência ao papel fundamental, para a economia e desenvolvimento do concelho, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, cujo investimento dá retorno. A ciência e a tecnologia, bem orientadas, podem trazer projectos inovadores em várias áreas: energia solar, mobilidade, desporto, envelhecimento activo, saúde preventiva, alimentação saudável, controle de qualidade, etc.

 

O futuro de Castelo Branco pode ainda ser desenhado pelas próprias populações. E quantos concelhos podem ter esta opção?

Um futuro com qualidade de vida: onde os jovens licenciados possam fixar-se e exercer a sua actividade e/ou iniciar os seus projectos; onde as crianças se possam desenvolver harmoniosamente; onde os mais velhos possam envelhecer com a autonomia possível, mantendo-se activos e integrados na comunidade.

Um futuro com a liberdade de optar: entre o ruído (grandes superfícies, por exemplo) e o sossego (ruas do centro, esplanadas, etc.); entre os aglomerados de pessoas e os pequenos grupos; entre as réplicas e os originais. 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:51








comentários recentes



links

coisas à mão de semear

coisas prioritárias

coisas mesmo essenciais

outras coisas essenciais

coisas em viagem


subscrever feeds